O amor não vem pronto

Que tenhamos maturidade o suficiente para entender que o amor não vem pronto.

Não existe relacionamento perfeito esperando por nós, nem uma pessoa que chegará completamente preparada para nos amar exatamente como precisamos. Existem pessoas, com suas histórias, feridas, medos, aprendizados e limitações, tentando descobrir como amar umas às outras.

Amar também é construção. E talvez essa seja uma das partes mais bonitas e, ao mesmo tempo, mais difíceis do amor: perceber que não basta encontrar alguém. É preciso estar disposto a construir com esse alguém.

Construir confiança quando ela ainda não existe.
Construir diálogo quando seria mais fácil se fechar.
Construir segurança quando os dois carregam medos.
Construir intimidade, parceria, respeito e cumplicidade.

Porque amar também é aprender. Aprender a ouvir sem transformar tudo em uma disputa. Aprender a falar sobre o que machuca sem ferir de volta. Aprender a reconhecer quando erramos, pedir perdão e, principalmente, mudar aquilo que precisa ser mudado.

É por isso que precisamos nos preparar para o amor. Não para nos tornarmos perfeitos, mas para nos tornarmos conscientes.

Conscientes do que carregamos. Das nossas feridas. Dos nossos padrões. Daquilo que oferecemos e também daquilo que esperamos receber.

Porque não adianta desejar um amor saudável enquanto continuamos repetindo comportamentos que adoecem qualquer relação.

Talvez a preparação para o amor comece muito antes de encontrarmos alguém. Comece dentro de nós, quando decidimos nos conhecer, amadurecer, curar o que for possível e aprender a nos relacionar de uma maneira diferente.

E quando duas pessoas dispostas a crescer se encontram, o amor deixa de ser apenas uma promessa bonita e passa a ser uma escolha diária.

Escolha que acontece nas conversas difíceis. Nos dias comuns. Nos desacordos. Nas renúncias. No cuidado. Na paciência. Na decisão de permanecer presente quando seria mais fácil fugir.

Que tenhamos maturidade para não abandonar um amor simplesmente porque ele deixou de ser fácil. Mas também sabedoria para reconhecer quando estamos tentando construir sozinhos aquilo que deveria ser construído por dois.

Porque o amor não vem pronto. Ele chega como possibilidade. E cabe a duas pessoas preparadas, conscientes e dispostas transformá-lo em lar.

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