O sofrimento da idealização.

Quando senti que o mundo era cruel demais, meu primeiro instinto foi usar a minha capacidade de imaginação. Criei uma realidade paralela ao que estava vivendo, porém muito melhor, mais bonito e um lugar onde tudo que existia tinha boas intenções. O mal não existia nem no vocabulário. Eu me apaixonei pelo mundo que inventei, me envolvi, a ponto de não querer realidade diferente dessa. E hoje sinto as consequências de todo esse êxtase que vivi e do tempo que me anestesiei para não sofrer com a realidade que me assustava e doía tanto.
Bom, agora me afogo na desilusão. Realmente queria que a vida fosse como pensei, que a esperança fosse ilimitada e que principalmente a maldade fosse esgotada sem previsão e muito menos necessidade de abastecimento. Sonhei tanto com amores, amizades e famílias perfeitas que não desfrutei das imperfeições mais incríveis que poderia querer. Me desenvolver acompanhando outras evoluções com pessoas que amo e quero bem.
A realidade não é um doce, por isso que é gostoso de viver porque assim nós não enjoamos, podemos desvendar todos os nossos sensores de nosso paladar e todos os sentidos que possuímos mesmo que para desfrutar disso tenhamos que lidar com situações desagradáveis, algumas quase que insuportáveis que ainda sim, nos permite experienciar o melhor dessa vida.

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