O sofrimento da idealização.

Quando senti que o mundo era cruel demais, meu primeiro instinto foi usar a minha capacidade de imaginação. Criei uma realidade paralela ao que estava vivendo, porém muito melhor, mais bonito e um lugar onde tudo que existia tinha boas intenções. O mal não existia nem no vocabulário. Eu me apaixonei pelo mundo que inventei, me envolvi, a ponto de não querer realidade diferente dessa. E hoje sinto as consequências de todo esse êxtase que vivi e do tempo que me anestesiei para não sofrer com a realidade que me assustava e doía tanto.
Bom, agora me afogo na desilusão. Realmente queria que a vida fosse como pensei, que a esperança fosse ilimitada e que principalmente a maldade fosse esgotada sem previsão e muito menos necessidade de abastecimento. Sonhei tanto com amores, amizades e famílias perfeitas que não desfrutei das imperfeições mais incríveis que poderia querer. Me desenvolver acompanhando outras evoluções com pessoas que amo e quero bem.
A realidade não é um doce, por isso que é gostoso de viver porque assim nós não enjoamos, podemos desvendar todos os nossos sensores de nosso paladar e todos os sentidos que possuímos mesmo que para desfrutar disso tenhamos que lidar com situações desagradáveis, algumas quase que insuportáveis que ainda sim, nos permite experienciar o melhor dessa vida.

Relacionamento real

Algumas vezes passamos tanto tempo idealizando o amor e as relações que não notamos a beleza de um amor real. Nenhum relacionamento é perfeito, não temos uma relação perfeita com nós mesmos, porém buscando constantemente um equilíbrio. E melhor que um “felizes para sempre” de conto de fadas é o felizes apesar das divergências, dos conflitos, das dificuldades que todas relações enfrentam em algum momento. Não vou negar que muitas vezes é desconfortável, porém muito gratificante porque amar alguém é saber que ainda que existam diferenças e possibilidade de um dia não a ter mais… você está disposto e disponível para dar o seu melhor por essa pessoa e pelo relacionamento. Não busque um relacionamento ideal, vale muito mais a pena viver um relacionamento real, que você possa praticar comportamentos saudáveis e desenvolver dentro dela a sua melhor versão diariamente. Amar é ser honesto(a), é ser paciente, é ser zeloso(a), é ser companheiro(a), é saber compartilhar a vida em sua plenitude, é respeitar e saber dizer limites, é deixar as coisas fluírem sem tentativas de controle para não correr o risco de sufocar e também ser livre, sem negligenciar. Jamais idealize, mas tenha seus princípios claros em sua mente para identificar um potencial relacionamento real, que faça sentido para você. Ok?