A vida é para ser vivida

Não sei exatamente o que passou pela sua mente ao ler este título. Mas foi exatamente isso que eu quis dizer: a vida é para ser vivida.

À medida que crescemos e assumimos novas responsabilidades, existe uma tendência silenciosa de deixar de viver. E, infelizmente, algumas pessoas morrem ainda em vida. Não porque deixaram de respirar, mas porque desaprenderam a viver.

Elas fazem o que precisa ser feito, cumprem obrigações, seguem a rotina, mas já não se permitem desfrutar da própria existência. Evitam sentir as próprias emoções, fogem da vulnerabilidade e se distraem o tempo todo para não encarar aquilo que existe dentro de si. Assim, passam a sobreviver, em vez de viver a vida que um dia sonharam.

É verdade que ser vulnerável também significa correr o risco de se machucar. Mas é exatamente essa abertura que nos permite experimentar o melhor da vida. Fechar o coração não é a melhor escolha. Tornar-se mais consciente, sim. Afinal, a consciência nos ajuda a fazer escolhas melhores, sem deixar que o medo nos impeça de viver.

Quando o medo de sofrer dirige a nossa vida, ele também nos rouba a oportunidade de sermos surpreendidos. De viver experiências que só um coração livre consegue viver.

Talvez seja por isso que as crianças nos ensinem tanto. Elas se encantam com o simples, vivem o presente e se entregam às experiências sem calcular cada possibilidade de dor.

A vida continua esperando por nós. E ela não foi feita apenas para ser suportada. Ela foi feita para ser vivida.

O grito da sua essência

Você nem sempre foi assim.
Estar na defensiva se tornou o seu natural, mas nem sempre foi assim.
Ter uma resposta — ou até uma ofensa — na ponta da língua virou costume, mas nem sempre foi assim.
Evitar sentir virou automático, até com quem você mais ama no mundo. Mas nem sempre foi assim.
Negar sua autenticidade e trocá-la por uma máscara tem sido sua rotina, mas… nem sempre foi assim.

Em algum momento, rejeitaram o seu jeito de ser.
Perderam a paciência com a leveza e a pureza que havia em você.
Invejaram a sua coragem de ser quem é.
Disseram coisas para te ferir — intencionalmente ou não.

Mas eu quero te lembrar: aí dentro ainda existe uma mulher doce.
Leve. Cheia de vida.
Cheia de amor para oferecer a si mesma e ao outro.

Ela grita toda vez que você se sente exausta, sufocada, angustiada com a vida.
Porque é o seu corpo tentando te mostrar que a sua essência não está vivendo.
Ela se tornou prisioneira dentro de você.
E você tem sobrevivido com essa personagem que criou para se proteger.

Mas você não nasceu para sobreviver.
Você nasceu para viver.