A vida é para ser vivida

Não sei exatamente o que passou pela sua mente ao ler este título. Mas foi exatamente isso que eu quis dizer: a vida é para ser vivida.

À medida que crescemos e assumimos novas responsabilidades, existe uma tendência silenciosa de deixar de viver. E, infelizmente, algumas pessoas morrem ainda em vida. Não porque deixaram de respirar, mas porque desaprenderam a viver.

Elas fazem o que precisa ser feito, cumprem obrigações, seguem a rotina, mas já não se permitem desfrutar da própria existência. Evitam sentir as próprias emoções, fogem da vulnerabilidade e se distraem o tempo todo para não encarar aquilo que existe dentro de si. Assim, passam a sobreviver, em vez de viver a vida que um dia sonharam.

É verdade que ser vulnerável também significa correr o risco de se machucar. Mas é exatamente essa abertura que nos permite experimentar o melhor da vida. Fechar o coração não é a melhor escolha. Tornar-se mais consciente, sim. Afinal, a consciência nos ajuda a fazer escolhas melhores, sem deixar que o medo nos impeça de viver.

Quando o medo de sofrer dirige a nossa vida, ele também nos rouba a oportunidade de sermos surpreendidos. De viver experiências que só um coração livre consegue viver.

Talvez seja por isso que as crianças nos ensinem tanto. Elas se encantam com o simples, vivem o presente e se entregam às experiências sem calcular cada possibilidade de dor.

A vida continua esperando por nós. E ela não foi feita apenas para ser suportada. Ela foi feita para ser vivida.

O erro dele ou dela não anula o meu

Sempre foi mais fácil apontar o outro. O erro dele, a falha dela, o deslize que não fui eu quem cometeu. Como se, ao iluminar as sombras alheias, as minhas próprias se dissipassem. Mas não dissipam.

O erro do outro não apaga o meu, não me torna inocente, não faz de mim alguém melhor por simples contraste. O que eu faço, ou deixo de fazer, continua sendo meu.

Já me escorei no erro alheio. Já me convenci de que, porque o outro foi injusto, eu tinha o direito de ser cruel. Porque o outro não cumpriu sua palavra, eu podia quebrar a minha. Mas no fim das contas, a minha consciência sempre me chamava de volta, como um espelho que não mente.

Então, aprendi. Aprendi que não importa quem errou primeiro, quem errou pior, quem começou. O que importa é quem eu escolho ser, apesar disso. Porque a minha integridade não é uma resposta ao outro, é um compromisso comigo mesma.

E eu quero ser melhor. Não porque alguém mereça, mas porque eu mereço.