“Eu ainda te amo.”
Foi o que escutei, sussurrado ao meu ouvido. E aquelas quatro palavras me fizeram perceber algo: talvez o que mais desejamos não seja encontrar o amor, mas permanecer nele.
Porque encontrar alguém é um instante. Permanecer é uma escolha diária.
Permanecer quando a outra pessoa conhece nossa luz e também nossas sombras. Quando há dias de proximidade e dias de distância. Quando o coração está aquecido e quando tudo parece frio. No fundo, todos desejamos um amor que sobreviva às estações da alma.
Mas o amor não precisa morrer porque alguém decidiu partir.
A ausência de uma pessoa não anula a existência do amor. O amor verdadeiro não depende da permanência do outro para continuar sendo amor. Ele é graça: nasce como um presente, transborda de quem o possui e, depois de oferecido, cabe ao outro decidir o que fará com ele. Pode acolhê-lo. Pode ignorá-lo. Pode até rejeitá-lo.
Isso não diminui a beleza de quem amou.
Amar nunca foi sobre controlar a resposta do outro. Sempre foi sobre a liberdade de oferecer o melhor de si, sem perder a própria essência.
Por isso, quando ouvi aquele sussurro — “Eu ainda te amo” —, respondi baixinho:
“Eu também te amo.”
Não porque esperasse algo em troca. Mas porque algumas verdades merecem ser ditas, mesmo quando não mudam o rumo da história.
Há sentimentos que permanecem. E permanecer, às vezes, é a forma mais silenciosa e corajosa de amar.
