Gratidão não é prisão

É possível ser grato a algo ou alguém e mesmo assim resolver partir?

Confesso que para mim não parecia justo, não parecia gratidão ir embora de algo ou da vida de alguém que te fez tão bem em algum momento, que esteve com você quando ninguém mais esteve, inclusive acreditou em você quando nem você era capaz de acreditar.

Mas acontece que ninguém parte do nada ou sem motivos. Talvez você tenha ficado maior do que aquele lugar ou aquela pessoa já não combina com a nova versão de você. E o que você irá fazer? Se forçar a se diminuir para caber naquele espaço ou forçar aquela pessoa a engolir essa sua nova versão ou te acompanhar? Não é justo, não é saudável. Nem com você nem com os demais.

Escolher mudar de carreira, construir novos relacionamentos seja ele quais forem, não é ingratidão. É entender que está tudo bem alterar a rota. Buscar novos ares. Colecionar novas memórias e adquirir novas experiências mesmo sendo imensamente grato ao seu passado.

É salutar se retirar daquilo que você é grato. Gratidão não é prisão. Pelo contrário, gratidão é impulsionamento, quanto mais você é grato mais motivos você encontra para continuar sendo. Dói partir, porque foi muito importante e impactou sua vida de alguma maneira, mas você não deve desenvolver dependências emocionais em nome da gratidão.

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