A dor da incompreensão

Compreendo que cada um tem sua perspectiva e sensação sobre o que acontece no dia a dia, devido a sua história de vida, como, onde nasceu, quem são os pais. Não podemos obrigar ninguém a enxergar a vida como nós. Infelizmente algumas pessoas insistem em acreditar em razão absoluta, com uma arrogância infinita de que “eu estou certa e a outra pessoa errada” quando na verdade ambos estão certos e errados, certos por ser a perspectiva individual sobre a mesma situação e errados por desconsiderar a visão e sensação do outro sobre o mesmo fato.

A vida é cheia de possibilidades e ângulos diferentes, então para que insistir em ser o dono(a) da razão e achar que é melhor que alguém, quando somos iguais quando o assunto é humanidade, temos sentimentos, emoções, dores, traumas, inseguranças, medos e duvido alguém dizer que nunca sentiu, presenciou momentos assim na vida, que com certeza direi que é mentira. Porém não faço questão de estar certa porque sinceramente não ganho nada com isso, vou me sentir superior e mais evoluído mas daqui alguns minutos eu poderei ser mesquinha, egoísta e mentirosa, mesmo que eu minta apenas para mim mesma.

E não compreendo o fato de sermos tão parecidos em essência e mesmo assim haver carência de empatia. E a dor de não conseguirem respeitar seu sofrimento e saber que se está sorrindo agora mas daqui a pouco pode não estar mais.

Eu sempre estive sozinha.

Demorou para eu perceber, que apesar de eu achar que estava acompanhada… Eu sempre estive sozinha, emocional e, algumas vezes, fisicamente. Quando eu estava feliz e queria comemorar, ele não estava lá. Quando eu estava triste e não conseguia racionalizar meus sentimentos, ele não estava lá. Quando estava gerando dentro de mim alguém que mudaria nossas vidas, ele não estava lá. Nos momentos que precisava de apoio em meus sonhos, ele não estava lá. Nas circunstâncias difíceis que sabíamos que teríamos que enfrentar, ele não estava lá. Nos dias que tive que chorar sozinha, sendo ele o causador do motivo ou não, ele não estava lá.
Nos momentos que queria apresentar meu “namorado”, ele não estava lá.
Quando eu precisava de alguém para me acompanhar, ele não estava lá… quando eu quis um homem ao meu lado, ele não estava lá. E cheguei à seguinte conclusão: como ele nunca esteve comigo de verdade, ele não está e nunca estará.

Eu errei muito por acreditar que um dia estaria.

Relacionamento real

Algumas vezes passamos tanto tempo idealizando o amor e as relações que não notamos a beleza de um amor real. Nenhum relacionamento é perfeito, não temos uma relação perfeita com nós mesmos, porém buscando constantemente um equilíbrio. E melhor que um “felizes para sempre” de conto de fadas é o felizes apesar das divergências, dos conflitos, das dificuldades que todas relações enfrentam em algum momento. Não vou negar que muitas vezes é desconfortável, porém muito gratificante porque amar alguém é saber que ainda que existam diferenças e possibilidade de um dia não a ter mais… você está disposto e disponível para dar o seu melhor por essa pessoa e pelo relacionamento. Não busque um relacionamento ideal, vale muito mais a pena viver um relacionamento real, que você possa praticar comportamentos saudáveis e desenvolver dentro dela a sua melhor versão diariamente. Amar é ser honesto(a), é ser paciente, é ser zeloso(a), é ser companheiro(a), é saber compartilhar a vida em sua plenitude, é respeitar e saber dizer limites, é deixar as coisas fluírem sem tentativas de controle para não correr o risco de sufocar e também ser livre, sem negligenciar. Jamais idealize, mas tenha seus princípios claros em sua mente para identificar um potencial relacionamento real, que faça sentido para você. Ok?

Escolha alguém que queira aprender com você mais do que ensinar a você

Quando estamos abertos a aprender fica mais fácil de ensinar. E é tão gostoso quando a pessoa está aberta a conhecer você e a sua história, que não se contenta com a capa mas que se encanta a cada página de quem você é, espera ansiosamente pelos seus próximos capítulos e faz questão de fazer o possível para acompanhar cada nova edição sua. E sem querer você vai aprender tanto sobre e com essa pessoa mais do que jamais pôde aprender com quem entrou em sua vida querendo de te ensinar a viver e como você deveria ser. Isso é pesado demais. Você não pode ser você mesmo(a).

E qual é a graça de ser moldado pelas pessoas? Por mais que muitas insistam em fazer isso uma com as outras elas descartam depois que transforma a pessoa no que “queria”, não vê mais graça, a pessoa perdeu a personalidade, o que faz alguém se apaixonar e então para que mudar? Com que propósito? Questiono que seja um objetivo genuíno, na verdade, me arrisco a dizer é o oposto disso. Mude a si mesmo, jamais os outros, por favor. 

Infelizmente, quando entramos numa relação como uma pessoa que irá ensinar, corremos grande risco de nos tornar arrogantes e quando nos colocamos como aprendizes somos mais humildes, não a ponto de se diminuir, jamais. Só estamos abertos ao novo e diferente. E quando falamos de relacionamentos é exatamente com isso que lidamos, se estamos constantemente aprendendo sobre nós quem dirá sobre outras pessoas. E para mim isso é assustador e ao mesmo tempo empolgante.

Se o jeito da pessoa não te agrada, está tudo bem. Aliás, há 8 bilhões de pessoas no mundo com certeza encontrará uma pessoa que encaixe no seu perfil “ideal” e só precisamos de uma mesmo. Bom, pelo menos eu só preciso de uma, que queira aprender mais comigo do que me ensinar pois entrarei com o mesmo objetivo, ensinar será muito mais fácil e gostoso para ambos. E você?

Viva o momento e não a projeção!

Sabe quando encontramos uma pessoa, do nada, sem aviso prévio ela chega e tudo parece se encaixar? O papo, a risada, o abraço, o beijo… tudo parece, incrivelmente, perfeito. E a gente revive todos esses excelentes momentos em nossa mente. Mas não conseguimos nos satisfazer com isso e começamos a imaginar outros cenários com a pessoa. Sei lá… do próximo encontro ao casamento.

São nessas situações que estamos mais sensíveis a pôr tudo em risco, pois, inconscientemente, não iremos mais querer viver cada fase da relação, é muito provável que iremos querer realizar as nossas idealizações no relacionamento. Ao ponto da pessoa com quem estivermos relacionando não ser participante ativo nessa história.

Sem querer estaremos escrevendo um roteiro e apenas conduzindo nosso parceiro (nossa parceira) como um personagem ou um objeto integrante da cena ou ainda mais… estamos tão entretidos(as) na história que criamos que não prestamos atenção na realidade, como de fato a pessoa é e nos trata.

Isso é perigoso para ambos, e estamos ferindo o verdadeiro significado de um relacionamento: indivíduos que se unem com os mesmos propósitos e valores. Logo, você precisa de fato conhecer um ao outro como é, para criar realmente uma ligação afetiva saudável.

E cabe a nós fazermos as seguintes perguntas à nossa consciência: Será que é com essa pessoa que gostaria de conviver e esse realmente é o relacionamento que gostaria de viver? Estou bem (mesmo sabendo dos altos e baixos que existem) com a escolha que fiz?

Ao invés de idealizar ou correr contra o tempo, viva o momento e não a projeção. E se for o relacionamento que sempre desejou (com as imperfeições incluídas, porque não existe relacionamento perfeito), ótimo. Desfrute, viva e faça valer cada momento!

Resolvi partir.

“Eu não quero mais te ver”, ela disse.
Mas, surpreendentemente, dessa vez eu não surtei, nem se quer chorei. Continuei fazendo o que tinha para fazer. Obviamente não era o tipo de mensagem que eu queria receber, porém depois de tantas ofensas, tantas brincadeiras de mau gosto, essa mensagem não surtiu efeito algum. Para mim ela decretou o fim.

Essa coisa de música sertaneja como “A briga foi feia, teve dedo na cara, teve voz alterada, teve tudo que tem em uma discussão. Mas eu não estava terminando, você confundiu seu coração” da dupla Henrique e Juliano, não funciona comigo. Quero falar, sim, sobre qualquer assunto, discutir a relação, só que sempre com o respeito prevalecendo em cada momento.

As pessoas não costumam terminar relacionamento por falta de amor, e sim por falta de respeito, compreensão, empatia, cuidado, doação, conexão… mas raramente o amor propriamente dito. Apesar de eu acreditar que no amor já há tudo isso, mas infelizmente conforme fomos crescendo, aprendemos alguns comportamentos tóxicos que divergem muito do amor e por isso o que deveria ser incluso, é adicional.

Eu realmente busquei compreender mas depois que percebi que eu jamais seria compreendido, resolvi partir.

Se não for para estar com você em tudo, eu não quero nada!

Com você não importa o lugar que estivermos, sempre será uma grande satisfação para mim estar contigo. Seja dentro de um ônibus voltando para casa ou em uma viagem para o Japão. Num dia de sol escaldante ou num dia chuvoso. Em um restaurante 5 estrelas ou fazendo uma comida caseira. Assistindo séries no celular ou indo ao cinema. 
Bom, não estou dizendo que prefiro um deles, na verdade quero tudo isso com você e muito mais. Eu amo a sua companhia, o seu silêncio não me assusta e suas duras palavras também não. Eu entendi que onde há luz, há sombras. Faz parte do processo os momentos difíceis também e não quero fugir deles, quero enfrentá-los com você ao meu lado. Quero carregar o peso da vida e desfrutar dela com você, pois sei que além da carga ficar mais leve, os prazeres serão melhores ainda. A chuva tem que vir para o arco íris aparecer e para as flores florescerem. É a lei da natureza. E, sinceramente, não estou afim de burlar.
Se não for para estar com você em tudo, nos momentos alegres e tristes, com muito e pouco dinheiro, saudável e doente, fazendo coisas da rotina e saindo dela, chorando e rindo, conversando por horas e calados apenas aproveitando a presença um do outro. Eu não quero nada!

Às vezes, a solução é largar o relacionamento.

Uma vez perguntei a um casal, aparentemente muito feliz com seu longo tempo de relacionamento, o que haviam feito para ter um casamento tão duradouro e a esposa respondeu “não acreditar no para sempre, muito menos nos felizes para sempre dos contos de fadas, nem tudo são flores em uma relação mas obviamente não significa que tudo tenha que ser espinhos”. Eu surpresa com a resposta questionei o que isso significava. 

E o marido respondeu: “Nós já tivemos que abandonar nosso casamento, no começo vivíamos brigando, competindo um com outro. Nós queríamos mais ter razão do que uma boa relação. Tínhamos muita dificuldade na nossa comunicação, quando não estávamos calados, estávamos nos agredindo verbalmente e discutindo por coisas simples, nós tínhamos dificuldade de entrar em consenso em casa. Como onde iríamos morar, qual mobília comprar… até as metas de vida do casal, eu sempre queria uma coisa e ela outra, parecia até implicância. Era um inferno. Então resolvemos acabar com o casamento, sem abandonar um ao outro. Escolhemos construir um novo relacionamento esse que você é capaz de ver, conseguimos gerar frutos muito melhores do que o anterior, somos uma equipe, somos melhores amigos e aprendemos a nos comunicar melhor e focar no que temos de melhor, apesar de nos irritarmos de vez em quando, não chega nem perto do que já foi um dia. E desde então todo ano renovamos os nossos votos, porque entendemos que o para sempre não existe e ainda bem porque se não, provavelmente, você não nos veria assim hoje.

Acredito que aprender foi a chave, aprender mais sobre si e o outro, com os erros que cometemos, ainda erramos muito mas corrigimos rápido. Eu a escolhi e não queria ter que abandonar a minha escolha, então decidi apenas tomar uma decisão para não perder a pessoa que tanto amo, largar aquele relacionamento.

O romantismo que vive em mim

Eu não espero um amor perfeito. Quero apenas um amor sólido, não o suficiente para criar muros mas para construir pontes.
Por muito tempo acreditei que para um relacionamento funcionar não deveria haver discórdias, discussões, medo e inseguranças. Até eu perceber que tudo isso pode e vai acontecer em algum momento. Só que a maneira que manejamos determinará um final feliz ou não.

Sabemos se um relacionamento é forte e saudável, quando os momentos difíceis aparecem porque quando tudo está fácil, é moleza… não tem dificuldades para serem superadas, não há amadurecimento do relacionamento.

O romantismo que vive em mim não acredita em datas comemorativas e rótulos de como se relacionar, o amor só precisa ser sincero. E dedicado porque quando queremos ter uma carreira a gente se empenha e por que deveria ser diferente em nossas relações? Temos que nos dedicar ainda mais para convivermos com seres humanos que pensam, agem e lidam de maneira diferente que lidamos com as circunstâncias. E que bom que somos diferentes.

Em um relacionamento ninguém precisa ser perfeito, muito menos forte o tempo inteiro. A vulnerabilidade faz parte da intimidade e sentir que posso ser eu mesma com alguém me deixa confortável para mostrar minhas fragilidades e, mais ainda, minhas fortalezas.

O amor jamais será perfeito, ele só precisa ser e estar presente em nossas condutas. Cada pessoa tem sua maneira de expressar e acredito que não só temos que estar preparados para demostrar o amor que temos, mas também perceber o amor que atraímos. Sou romântica, mas meu romantismo vai muito além dos contos de fadas e ficções, meu romantismo existe na vida real. E você, é romântico como eu?

Não devia

Eu cedi muito, não devia. Devia ter parado no começo mas eu achei que estava no caminho certo e que no final ficaríamos bem, quando na verdade ficamos pior. É difícil amar uma pessoa que não sabe sentir o amor das outras, talvez, porque nunca se sentiu amado ou porque nunca foi amado, pelo menos não como gostaria. E eu busquei fazer isso por você e por nós. Fiz o que pude para demonstrar e dizer o quanto era importante para mim e o quanto amava você. Quase escrevi um livro em sua homenagem. Mas eu estava fazendo muito esforço por algo que não dependia apenas de mim. Antes mesmo que eu fizesse qualquer coisa, você precisaria se permitir. Se permitir sentir. Se permitir viver e, infelizmente, não foi o que aconteceu, quanto mais eu me aproximava mais você se afastava. Enquanto eu queria construir pontes, você construía muros entre nós. Doeu tanto, que chorei oceanos por não conseguir compreender, por me sentir impotente e perdida no nosso relacionamento. Quão difícil é amar alguém que não quer ser amado. E resolvi partir, por lembrar que eu quero ser amada e que o primeiro amor vem de mim.