Obrigada por tudo!

Obrigada por tudo. Por todas as experiências, por tudo o que foi feito e também por tudo o que não foi.

Obrigada pelas palavras que chegaram no momento certo e também por aquelas que nunca foram ditas. Pelos encontros que aqueceram o coração e pelas despedidas que, mesmo dolorosas, me ensinaram a seguir.

Obrigada pelo que deu certo e pelo que não saiu como eu esperava. Pelas certezas que encontrei e, principalmente, pelas dúvidas que me fizeram crescer.

Hoje eu entendo que nem tudo precisa ter permanecido para ter sido importante. Algumas pessoas chegam para ficar, outras para ensinar. Algumas histórias terminam antes que o nosso coração esteja pronto, mas ainda assim deixam algo que levamos para a vida.

Não sou grata apenas pelo que foi bonito. Também agradeço pelo que doeu, pelo que me decepcionou, pelo que me fez recomeçar. Porque, de alguma forma, tudo isso também me trouxe até aqui.

Sou grata por quem fui em cada fase, por tudo o que vivi e por tudo o que aprendi. E se hoje consigo olhar para trás com mais paz, é porque finalmente entendi que agradecer não significa querer voltar.

Às vezes, agradecer é apenas reconhecer que, apesar de tudo, valeu a pena viver.

Muito obrigada por tudo o que foi. E, principalmente, obrigada por tudo o que me tornei depois de tudo.

Toda decisão exige renúncia

Quando tomamos uma decisão, não estamos apenas escolhendo alguma coisa. Estamos, também, renunciando a muitas outras.

E talvez essa seja uma das partes mais difíceis de escolher. Porque toda escolha carrega consigo alguns “nãos”.
Não para tudo aquilo que não queremos, mas também para aquilo que, de alguma forma, gostaríamos de continuar tendo.

Quando decidimos ficar, renunciamos a algumas possibilidades de partir.
Quando decidimos partir, renunciamos àquilo que ainda poderia acontecer se ficássemos.
Quando escolhemos uma pessoa, abrimos mão de outras possibilidades.
Quando escolhemos um caminho, deixamos tantos outros para trás.

É por isso que algumas decisões doem, mesmo quando são certas. Nem toda dor é sinal de que escolhemos errado. Às vezes, ela é apenas o luto por aquilo que precisou ficar para trás para que pudéssemos seguir em frente.

A maturidade está em entender que não podemos viver todas as possibilidades ao mesmo tempo.

Em algum momento, precisamos escolher. E escolher é aceitar que, enquanto seguramos uma coisa com as duas mãos, outras tantas precisarão ser deixadas para trás.

Por isso, não tenha medo de renunciar. Tenha medo de permanecer dividido entre aquilo que você escolheu e aquilo que não teve coragem de deixar.

Porque uma decisão só começa a transformar a nossa vida quando, além de escolhermos o que queremos, também temos coragem de abrir mão do que não cabe mais no caminho que decidimos seguir.

No fim, talvez amadurecer seja justamente isso: aprender que toda escolha tem um preço, mas que algumas renúncias são necessárias para que possamos viver, por inteiro, aquilo que escolhemos.

O que você está tentando não desejar?

Às vezes, assumir a responsabilidade também é admitir o que ainda desejamos.

Existe uma maturidade que nem sempre parece bonita. É aquela que nos faz olhar para dentro e admitir aquilo que passamos tanto tempo tentando esconder de nós mesmos.

Por muito tempo, podemos acreditar que estamos seguindo em frente. Dizemos que superamos, que aceitamos, que não queremos mais aquilo. Aprendemos a conviver com a ausência, construímos novas rotinas e até nos convencemos de que determinadas histórias já não significam tanto.

Até que, em algum momento, a vida nos permite enxergar aquilo que ainda está escondido. E talvez essa seja uma das partes mais difíceis do amadurecimento: descobrir que, por trás de toda a nossa tentativa de seguir em frente, ainda existe um desejo que não morreu.

Não porque devemos voltar. Não porque determinada história necessariamente precisa ser retomada. Mas porque algumas verdades precisam ser reconhecidas antes de serem verdadeiramente entregues.

Às vezes, estamos tão preocupados em provar que não precisamos de alguém que esquecemos de perguntar o que realmente desejamos.

E existe uma diferença enorme entre precisar e desejar.

Eu posso não precisar de você para viver e, ainda assim, desejar que você estivesse aqui.

Posso ter aprendido a seguir sozinha e, ainda assim, reconhecer que existe dentro de mim o desejo de construir uma família.

Posso aceitar que uma relação não deu certo e, ao mesmo tempo, admitir que uma parte de mim ainda gostaria que tivesse dado.

Isso não é fraqueza. Fraqueza seria continuar mentindo para mim mesma. Porque aquilo que reprimimos não desaparece necessariamente. Muitas vezes, apenas encontra outras formas de aparecer.

Pode aparecer na dificuldade de se abrir para alguém novo.

Na comparação.

Na resistência em se entregar.

Na necessidade de controlar tudo.

Na incapacidade de permitir que outra pessoa se aproxime verdadeiramente.

Às vezes, não estamos indisponíveis para o amor porque deixamos de amar alguém. Estamos indisponíveis porque ainda não tivemos coragem de admitir o que realmente queremos.

E aqui existe uma pergunta incômoda: Quantas decisões da sua vida você tomou a partir daquilo que realmente deseja e quantas tomou apenas para fugir daquilo que sente?

Reconhecer um desejo não significa transformar esse desejo em destino. E talvez essa seja uma das maiores demonstrações de maturidade.

Eu posso desejar uma reconciliação e ainda compreender que ela não depende somente de mim.

Posso amar alguém e ainda saber que amor, apenas, não sustenta uma relação.

Posso reconhecer a minha parte nos erros sem assumir a responsabilidade pelas escolhas do outro. Porque assumir responsabilidade não é carregar tudo nas costas. É olhar para aquilo que me pertence e ter coragem de lidar com isso.

Às vezes, inclusive, precisamos reconhecer que também contribuímos para determinadas distâncias. Não para carregar culpa, mas para parar de contar histórias em que somos completamente inocentes e os outros completamente responsáveis.

Isso vale para relacionamentos, amizades, famílias e até para a maneira como conduzimos a nossa própria vida.

Talvez a pergunta não seja apenas: “O que fizeram comigo?”. Mas também: “O que eu fiz com aquilo que aconteceu?”. E talvez exista ainda outra pergunta, mais difícil: “Do que eu estou fugindo?”

Porque podemos passar anos tentando nos convencer de que não queremos determinada coisa, quando, na verdade, apenas temos medo de desejar algo que talvez nunca aconteça.

Admitir o que queremos não nos torna dependentes. Nos torna honestos. E honestidade consigo mesma é um dos primeiros passos para deixar de viver no automático.

Há desejos que precisam ser realizados.

Há desejos que precisam ser transformados.

E há desejos que precisam ser colocados nas mãos de Deus.

Mas nenhum deles precisa continuar sendo escondido de nós mesmos.

Porque, antes de conseguir entregar verdadeiramente alguma coisa, precisamos ter coragem de reconhecer que ela ainda existe dentro de nós.

Talvez o maior sinal de maturidade não seja deixar de desejar. Talvez seja aprender a desejar sem perder a si mesma.

E, quando aquilo que desejamos envolve outra pessoa, talvez a forma mais bonita de amar seja justamente reconhecer o nosso desejo sem tentar controlar o resultado.

Devemos apenas fazer a nossa parte, assumir a nossa responsabilidade e dizer a verdade. E depois permitir que Deus cuide daquilo que nunca esteve completamente nas nossas mãos.