Seja corajosa

Eu sei que você tem medo. Todos nós temos. Principalmente quando estamos diante de algo novo, grande ou, quem sabe, das duas coisas ao mesmo tempo.

Mas talvez você precise se lembrar de uma coisa: ser corajosa não significa não sentir medo. Significa fazer e continuar apesar dele.

Seja o que for que você deseja para a sua vida, provavelmente você sabe qual é o primeiro passo que precisa dar. Talvez não saiba qual será o último. E tudo bem.

Você não precisa conhecer o caminho inteiro para começar a caminhar. Precisa apenas ter coragem para dar o primeiro passo. Você precisa de coragem, não de certeza.

Durante muito tempo, algumas pessoas me chamaram de louca por determinadas decisões que tomei na minha vida. Meu pai, porém, costumava me chamar de corajosa.

E, por muito tempo, eu não sabia muito bem como receber esse adjetivo. Talvez porque, de alguma maneira, eu concordasse com os outros.

Mas, pouco a pouco, comecei a perceber que coragem e loucura podem caminhar muito próximas. Porque existe algo de “louco” em acreditar e lutar por aquilo que ainda não existe.

É preciso ser um pouco louca para continuar acreditando em um sonho quando ninguém mais consegue enxergá-lo. Para escolher um caminho diferente quando todos esperavam que você seguisse o mesmo. Para começar algo sem ter garantias de que dará certo. E talvez seja exatamente isso que chamamos de coragem.

A primeira vez que me chamei de corajosa foi ainda no ensino fundamental II. Eu era extremamente tímida. Daquelas que mal respondiam quando alguém falava.

Eu chegava a uma festa e conseguia passar praticamente a noite inteira sentada por pura timidez, até que, no final, quando finalmente me soltava, a festa já estava acabando.

Até que um dia eu me cansei. Cansei de deixar momentos passarem porque estava com vergonha. Cansei de querer fazer alguma coisa e não fazer porque estava preocupada demais com o que os outros poderiam pensar.

Então decidi ser uma tímida corajosa. Comecei devagar. Primeiro, passei a responder mais. Depois, comecei a tomar a iniciativa para conversar. Aos poucos, fui me permitindo ocupar espaços que antes eu evitava.

E descobri que eu continuava sendo introvertida, mas já não era mais prisioneira da minha timidez. Hoje, se eu quiser e se fizer sentido para mim, eu faço. Eu falo. Eu vou. Eu tento.

Não porque o medo desapareceu, mas porque eu aprendi que ele não pode decidir por mim. Talvez você também esteja diante de alguma coisa agora.

Talvez exista um sonho que você ainda não teve coragem de começar. Uma decisão que você sabe que precisa tomar. Uma conversa que precisa acontecer. Uma porta que deseja abrir.

E talvez esteja esperando sentir segurança suficiente para finalmente agir. Mas e se essa segurança nunca vier? E se você passar tanto tempo esperando ter certeza que, quando perceber, a oportunidade já passou?

Pessoas corajosas também sentem medo. Elas apenas não entregam ao medo o direito de escolher por elas.

A vida vai continuar apresentando situações que assustam. Você vai começar coisas sem saber exatamente onde elas vão terminar. Vai tomar decisões sem conseguir prever todas as consequências.

E, algumas vezes, vai errar. Mas também vai descobrir caminhos que só poderiam existir porque você teve coragem de começar.

Por isso, se existe algo dentro de você dizendo que é hora de ir, talvez você não precise de mais respostas. Talvez precise apenas respirar fundo e dar o primeiro passo.

Você não precisa saber como tudo vai terminar. Precisa apenas ser corajosa o suficiente para não deixar a sua vida passar enquanto espera o medo ir embora.

Seja corajosa. Quem sabe a sua coragem seja justamente aquilo que fará a sua vida se tornar tudo aquilo que, hoje, você ainda não consegue imaginar.

Toda decisão exige renúncia

Quando tomamos uma decisão, não estamos apenas escolhendo alguma coisa. Estamos, também, renunciando a muitas outras.

E talvez essa seja uma das partes mais difíceis de escolher. Porque toda escolha carrega consigo alguns “nãos”.
Não para tudo aquilo que não queremos, mas também para aquilo que, de alguma forma, gostaríamos de continuar tendo.

Quando decidimos ficar, renunciamos a algumas possibilidades de partir.
Quando decidimos partir, renunciamos àquilo que ainda poderia acontecer se ficássemos.
Quando escolhemos uma pessoa, abrimos mão de outras possibilidades.
Quando escolhemos um caminho, deixamos tantos outros para trás.

É por isso que algumas decisões doem, mesmo quando são certas. Nem toda dor é sinal de que escolhemos errado. Às vezes, ela é apenas o luto por aquilo que precisou ficar para trás para que pudéssemos seguir em frente.

A maturidade está em entender que não podemos viver todas as possibilidades ao mesmo tempo.

Em algum momento, precisamos escolher. E escolher é aceitar que, enquanto seguramos uma coisa com as duas mãos, outras tantas precisarão ser deixadas para trás.

Por isso, não tenha medo de renunciar. Tenha medo de permanecer dividido entre aquilo que você escolheu e aquilo que não teve coragem de deixar.

Porque uma decisão só começa a transformar a nossa vida quando, além de escolhermos o que queremos, também temos coragem de abrir mão do que não cabe mais no caminho que decidimos seguir.

No fim, talvez amadurecer seja justamente isso: aprender que toda escolha tem um preço, mas que algumas renúncias são necessárias para que possamos viver, por inteiro, aquilo que escolhemos.