O erro dele ou dela não anula o meu

Sempre foi mais fácil apontar o outro. O erro dele, a falha dela, o deslize que não fui eu quem cometeu. Como se, ao iluminar as sombras alheias, as minhas próprias se dissipassem. Mas não dissipam.

O erro do outro não apaga o meu, não me torna inocente, não faz de mim alguém melhor por simples contraste. O que eu faço, ou deixo de fazer, continua sendo meu.

Já me escorei no erro alheio. Já me convenci de que, porque o outro foi injusto, eu tinha o direito de ser cruel. Porque o outro não cumpriu sua palavra, eu podia quebrar a minha. Mas no fim das contas, a minha consciência sempre me chamava de volta, como um espelho que não mente.

Então, aprendi. Aprendi que não importa quem errou primeiro, quem errou pior, quem começou. O que importa é quem eu escolho ser, apesar disso. Porque a minha integridade não é uma resposta ao outro, é um compromisso comigo mesma.

E eu quero ser melhor. Não porque alguém mereça, mas porque eu mereço.