Quem quer construir uma família não aceita qualquer tipo de relação

Existe um momento da vida em que amar deixa de ser apenas sobre sentir e passa a ser também sobre escolher.

Quando realmente queremos construir uma família, começamos a olhar para os relacionamentos de outra maneira. Já não basta gostar, sentir desejo, ter química ou viver momentos bons juntos.

Começamos a pensar no longo prazo. Nos valores. Nos planos. Na forma como aquela pessoa lida com conflitos, responsabilidades, compromisso e com a própria vida. E isso faz parte do nosso amadurecimento.

Seja homem ou mulher, quem deseja construir uma família precisa compreender que não pode aceitar qualquer pessoa ou qualquer tipo de relacionamento. É preciso olhar para o terreno antes de decidir construir sobre ele.

Quais são os planos dessa pessoa? Eles combinam com os meus? Temos expectativas semelhantes sobre casamento, filhos, dinheiro, família, responsabilidades e futuro? Como lidamos com as nossas diferenças?

São perguntas que podem parecer desconfortáveis, mas são extremamente necessárias.

O problema é que muitas pessoas evitam essas conversas por medo de perder o relacionamento. Têm medo de perguntar. Medo de colocar limites. Medo de dizer o que realmente desejam. Medo de descobrir que, apesar de existir amor, os projetos de vida não combinam.

E, por medo de perder a pessoa, acabam abrindo mão de conversas que poderiam ajudá-las a descobrir se aquela relação realmente tem condições de sustentar o futuro que desejam.

Mal sabem que, muitas vezes, é justamente a tentativa de evitar esse desconforto que torna a vida dessa futura família desconfortável. Porque aquilo que não é conversado hoje pode se transformar em conflito amanhã.

Aquilo que é tolerado no namoro pode se tornar um peso dentro do casamento. E aquilo que você teve medo de perder pode acabar sendo perdido justamente porque você não teve coragem de olhar para a realidade.

Construir uma família é uma decisão gigante. Não se constrói uma família apenas com emoção. A emoção pode ser o começo, mas é a constância das ações necessárias que sustenta aquilo que foi escolhido.

E eu digo necessárias porque construir uma família não será feito apenas das coisas que queremos fazer. Haverá coisas que precisaremos fazer.

Conversar quando seria mais fácil fugir. Ceder quando o orgulho pedir para vencer. Assumir responsabilidades quando ninguém estiver cobrando. Cumprir aquilo que foi combinado. Rever comportamentos. Aprender a lidar com dinheiro, diferenças, frustrações e responsabilidades.

Escolher um ao outro também nos dias em que o sentimento não estiver tão intenso. É por isso que construir uma família é para quem realmente decidiu amadurecer.

Para quem entende que compromisso não é apenas uma palavra bonita, mas uma disposição diária para fazer o que precisa ser feito.

Amar alguém pode ser emocionante. Mas construir uma vida com alguém exige maturidade.

E talvez uma das maiores provas de que amadurecemos seja justamente perceber que não precisamos aceitar qualquer relação apenas porque existe amor.

Porque quando sabemos o que queremos construir, começamos a prestar mais atenção em quem está disposto a construir conosco. E isso muda tudo.

Você merece um amor que escolha ficar

Lembre-se de quem você era antes de começar a duvidar de si mesma por causa de alguém.

Lembre-se de quantas vezes você tentou encontrar gentileza onde ela não existia, compreensão onde havia cobrança e amor onde, tantas vezes, fizeram você acreditar que precisava ser responsável por coisas que nunca foram suas.

Você não precisa carregar a culpa pelas escolhas de outra pessoa. Não precisa se responsabilizar pelo que alguém decidiu fazer, pelo que decidiu não fazer ou pela maneira como escolheu tratar você.

Você merece um homem que escolha ficar. Não apenas quando tudo estiver bem, quando você estiver sorrindo, leve e segura de si. Mas também nos dias difíceis. Naqueles dias em que você estiver cansada, sensível, confusa ou até duvidando do seu próprio valor.

Porque você não abandona quem ama quando os dias ficam difíceis. E merece receber a mesma entrega.

Você merece um homem que ame verdadeiramente a Deus. Um homem que não use o nome de Deus para justificar suas atitudes, para ferir você ou para fazer você se sentir menor. Mas que permita que a fé seja percebida na maneira como ele ama, respeita, cuida, perdoa e assume a responsabilidade pelas próprias escolhas.

Você merece alguém que enxergue o seu valor até nos dias em que você mesma não conseguir enxergá-lo.

Alguém que olhe para você e não veja apenas a mulher que você é hoje, mas também tudo aquilo que você está construindo para se tornar.

Um homem que esteja disposto a ser o seu melhor marido não porque você exigiu perfeição, mas porque ele sabe que está diante de uma mulher que também deseja oferecer o seu melhor.

Que ele escolha você com consciência. Com maturidade. Com paz. Com a certeza de que não está apenas encontrando alguém para amar, mas a mulher com quem deseja construir uma vida.

Que ele olhe para você e pense: é ela.
Não porque vocês nunca terão problemas, mas porque, mesmo diante deles, haverá disposição para conversar, cuidar, reparar, perdoar e continuar.

Que você nunca mais confunda intensidade com amor, culpa com responsabilidade ou sofrimento com prova de sentimento.

E, principalmente, que nunca mais precise diminuir quem você é para convencer alguém a permanecer.

Você não precisa ser escolhida por qualquer homem. Precisa ser escolhida por aquele que, além de escolher você, estará disposto a fazer o certo por você, pela relação e pela família que vocês desejarem construir.

Por aquele que reconhecerá o privilégio de caminhar ao seu lado. Que verá a sua história, suas imperfeições, seus sonhos e sua força e, ainda assim, terá a certeza de que é você a mulher que deseja amar.

Então, enquanto ele não chega, continue escolhendo a si mesma. Continue se preparando para o amor que você deseja viver. Porque você não está esperando apenas por um marido.

Está esperando por um amor que faça sentido para tudo aquilo que você aprendeu sobre amar. E quando esse homem chegar, que você não precise perguntar se ele escolheu você.

Você saberá.

Eu desejei tanto viver esse tipo de amor

Eu desejei tanto viver esse tipo de amor… Um amor que se apoia, que não se abandona, que se escolhe todos os dias.

Um amor que entende que amar não é apenas sentir algo bonito por alguém, mas também decidir cuidar daquilo que existe entre duas pessoas.

Eu sempre quis um amor que soubesse permanecer. Não porque nunca haveria motivos para ir embora, mas porque haveria motivos suficientes para ficar.

Um amor que, diante de um dia difícil, não transformasse a dificuldade em distância. Que soubesse que algumas fases exigem mais paciência, mais conversa, mais compreensão e, principalmente, mais disposição para caminhar lado a lado.

Eu desejei alguém que não estivesse comigo apenas quando tudo fosse fácil. Alguém que soubesse segurar a minha mão quando eu estivesse forte, mas que também soubesse me acolher quando eu não estivesse.

E eu queria poder fazer o mesmo, porque talvez uma das formas mais bonitas de amar seja essa: saber que você não precisa enfrentar tudo sozinho.

Eu desejei um amor que soubesse o que é amor. Que não confundisse controle com cuidado, ausência com liberdade ou palavras bonitas com sentimentos profundos.

Um amor que entendesse que atitudes dizem muito mais do que promessas e que escolher alguém todos os dias também significa cuidar para que essa pessoa se sinta amada nos pequenos detalhes.

Eu não desejei um amor perfeito. Desejei um amor verdadeiro. Daqueles que reconhecem as imperfeições, mas não usam os defeitos como desculpa para ferir. Daqueles que sabem pedir perdão, recomeçar uma conversa e voltar para perto depois de um dia difícil.

Um amor em que eu pudesse descansar o coração. Sem precisar duvidar o tempo inteiro se sou amada, se sou importante ou se amanhã ainda haverá alguém ao meu lado.

Eu desejei tanto viver esse tipo de amor… E hoje eu entendo que não é sobre encontrar alguém que nunca vá embora. E sim, sobre encontrar alguém que, assim como eu, compreenda o valor de permanecer.

Porque o amor que eu desejo é aquele que traz paz. É aquele que acolhe, sustenta, cuida e permanece.

É aquele em que duas pessoas, mesmo sabendo que a vida nem sempre será fácil, continuam olhando uma para a outra e dizendo, através das próprias atitudes: “Eu escolho você.”

A sua maior bênção pode se tornar a sua perdição, se não tiver sabedoria

Nem tudo o que é bom para a nossa vida continuará sendo bom se não soubermos cuidar.

Uma grande oportunidade pode se transformar em sobrecarga. O sucesso pode alimentar o orgulho. O dinheiro pode trazer uma falsa sensação de poder. Um casamento pode se tornar um lugar de disputa. A maternidade pode fazer uma mulher se esquecer completamente de quem ela é.

Até mesmo aquilo que um dia pedimos tanto a Deus pode se tornar fonte de sofrimento quando não temos sabedoria para administrar o que recebemos.

Porque bênção também exige responsabilidade. Não basta pedir por um bom casamento. É preciso ter maturidade para construir uma relação saudável, aprender a ouvir, ceder, respeitar limites e compreender que amar alguém não significa deixar de ser quem você é.

Não basta desejar a maternidade. É preciso aprender a cuidar de um filho sem transformar a própria vida em abandono de si mesma, entendendo que uma criança precisa de uma mãe presente, mas também precisa de uma mãe emocionalmente saudável.

Não basta conquistar sucesso profissional. É preciso saber administrar o reconhecimento, o dinheiro, as oportunidades e, principalmente, não permitir que aquilo que você faz se torne mais importante do que quem você é.

Até coisas simples podem nos ensinar isso. Uma casa bonita precisa ser cuidada. Uma amizade precisa ser cultivada. Um corpo precisa ser respeitado. Uma profissão precisa ser administrada. Um relacionamento precisa de atenção. Uma família precisa de presença.

Aquilo que não cuidamos, perdemos.
E aquilo que não sabemos administrar pode começar a nos dominar. Por isso, talvez uma das maiores orações que podemos fazer não seja apenas: “Deus, me dê”. Mas também: “Deus, me dê sabedoria para cuidar daquilo que chegar às minhas mãos.”

Porque algumas pessoas passam a vida pedindo por portas abertas, mas nunca se preparam para tudo o que existe do outro lado delas.

Querem um relacionamento, mas não estão preparadas para a responsabilidade de amar. Querem filhos, mas não estão preparadas para a renúncia e a dedicação que a maternidade exige. Querem prosperidade, mas não sabem administrar recursos. Querem visibilidade, mas não sabem lidar com críticas. Querem liberdade, mas não aprenderam a ter responsabilidade. Querem muito, mas não desenvolveram estrutura para sustentar o que desejam.

E talvez seja por isso que algumas bênçãos, quando chegam, parecem maiores do que a pessoa consegue carregar. Não porque sejam ruins. Mas porque ainda falta sabedoria para desfrutá-las.

A vida não é apenas sobre conquistar. É também sobre sustentar.

Não é apenas sobre receber. É sobre cuidar.

Não é apenas sobre chegar. É sobre permanecer.

Por isso, antes de pedir por algo maior, talvez seja importante olhar para aquilo que já temos e perguntar: Tenho cuidado bem disso? Tenho sido grata? Tenho sabedoria para administrar? Tenho maturidade para sustentar?

Porque aquilo que hoje parece pequeno pode ser exatamente o treinamento para aquilo que amanhã será grande.

E, no fim, uma das maiores bênçãos que podemos receber não é simplesmente ter coisas boas.

É nos tornarmos pessoas sábias o suficiente para não transformar coisas boas em coisas ruins. Porque a bênção não está apenas naquilo que recebemos. Também está na capacidade de cuidar do que recebemos.

O meu romantismo não acredita em destino

É fofo pensar que temos alguém destinado para a nossa vida.

Confesso que já acreditei na ideia de “alma gêmea”, “minha metade da laranja” e “a tampa da minha panela”. Mas, conforme fui amadurecendo, o meu romantismo amadureceu junto.

Hoje, eu acho muito mais romântico acreditar que, entre tantas possibilidades, alguém teve o poder de escolher e decidiu escolher você. Não porque estava destinado a isso, mas porque, depois de te conhecer, encontrou motivos para querer ficar.

Eu acredito que não conhecemos ninguém por acaso. Há encontros que nos ensinam, outros que nos transformam e alguns que permanecem. Mas, ainda assim, acredito que a escolha continua sendo nossa.

E talvez seja justamente isso que torna o amor tão bonito. Porque existe algo muito especial em ser escolhido depois de ser conhecido.

No começo, conhecemos apenas algumas partes. É fácil se encantar com os melhores momentos, com as conversas que fluem, com a novidade, com aquilo que ainda estamos descobrindo.

Mas o amor ganha outra dimensão quando as manias aparecem, quando conhecemos as imperfeições, quando os dias não são tão leves e quando percebemos que aquela pessoa não corresponde à imagem idealizada que construímos.

É nesse momento que a escolha se torna ainda mais bonita. Porque amar também é olhar para alguém que você conhece de verdade e, ainda assim, pensar: “Eu escolheria você.”

E talvez o casal que entende isso descubra que não precisa de um destino extraordinário para viver um grande amor.

Pode fazer das circunstâncias uma oportunidade para amar, celebrar, cuidar e honrar um ao outro. Porque o romantismo não está apenas em acreditar que fomos feitos um para o outro.

Está em, todos os dias, depois de conhecer quem o outro realmente é, continuar escolhendo construir uma história juntos.

No fim, talvez o meu romantismo não acredite em destino.

Ele acredita em escolha.

E existe algo profundamente romântico em saber que, podendo escolher, alguém escolheu você.

Tudo que desejamos é alguém que nos ame em todas as nossas fases

No fundo, tudo que desejamos é alguém que permaneça.

Não apenas quando estamos bonitas, leves, confiantes e vivendo uma boa fase. Mas também quando estivermos cansadas, confusas, inseguras ou tentando descobrir novamente quem somos.

Porque ninguém permanece igual para sempre.

Existem fases em que estamos cheias de sonhos, outras em que precisamos apenas de um pouco de silêncio. Haverá momentos em que estaremos fortes e outros em que precisaremos admitir que não damos conta de tudo.

E talvez uma das maiores formas de amor seja justamente compreender isso.

Amar alguém não é se apaixonar por uma versão específica dela e esperar que permaneça exatamente daquela maneira. É conhecer suas diferentes versões e ainda conseguir enxergar a pessoa que existe por trás de cada uma delas.

É saber que haverá dias em que o outro estará no seu melhor e dias em que estará apenas tentando atravessar o dia.

Mas isso não significa aceitar qualquer comportamento ou permanecer em uma relação que nos machuca. Amar todas as fases também exige respeito, maturidade, limites e responsabilidade.

E existe algo que precisamos lembrar: nós também mudamos.

Ao longo da vida, amadurecemos, mudamos de sonhos, revemos nossas escolhas e descobrimos novas partes de nós mesmos. Aquilo que fazia sentido ontem pode não fazer mais amanhã. E amar alguém também significa permitir que essa pessoa cresça sem exigir que ela permaneça para sempre na versão que conhecemos primeiro.

E, quando existe amor de verdade, existe espaço para crescer sem precisar ter medo de deixar de ser amado por não ser mais exatamente quem era.

Talvez seja isso que todos nós procuramos: alguém que não ame apenas aquilo que é fácil em nós.

Alguém que consiga olhar para nossas fases com ternura, sem tentar nos controlar, diminuir ou apressar.

Alguém que não queira apenas desfrutar da nossa melhor versão, mas que tenha maturidade para caminhar ao nosso lado enquanto nos tornamos quem ainda estamos aprendendo a ser.

Porque amar alguém é, também, aprender a conhecê-lo muitas vezes ao longo da mesma vida.

E que bonito é ser e encontrar alguém disposto a fazer isso.

Amar é escolher pelo amor todos os dias

Há quem acredite que amar é fácil e que é mil maravilhas. Mas a verdade é que a vida não é para ser assim, muito menos o amor. O amor só reside depois de uma decisão.
Depois de descobrir que existem motivos para não permanecer na relação. É quando após uma discussão ainda que corriqueira do dia a dia, você escolhe resolver da melhor maneira.
Você entende que não tem como amar alguém que você não respeita e tampouco admira.
Quando mesmo em seu pior momento, você escolhe entregar o seu melhor. Amar é escolher pelo amor todos os dias.
Afinal, a qualquer momento a raiva, o orgulho, as dúvidas podem surgir porém você se lembra do compromisso que fizeram um com o outro e não deixa que isso ocupe tanto espaço no relacionamento e persiste. Com a certeza que amanhã você estará mais maduro, experiente e melhor a cada dia como pessoa para si e para quem você escolheu compartilhar a vida.

Às vezes, a solução é largar o relacionamento.

Uma vez perguntei a um casal, aparentemente muito feliz com seu longo tempo de relacionamento, o que haviam feito para ter um casamento tão duradouro e a esposa respondeu “não acreditar no para sempre, muito menos nos felizes para sempre dos contos de fadas, nem tudo são flores em uma relação mas obviamente não significa que tudo tenha que ser espinhos”. Eu surpresa com a resposta questionei o que isso significava. 

E o marido respondeu: “Nós já tivemos que abandonar nosso casamento, no começo vivíamos brigando, competindo um com outro. Nós queríamos mais ter razão do que uma boa relação. Tínhamos muita dificuldade na nossa comunicação, quando não estávamos calados, estávamos nos agredindo verbalmente e discutindo por coisas simples, nós tínhamos dificuldade de entrar em consenso em casa. Como onde iríamos morar, qual mobília comprar… até as metas de vida do casal, eu sempre queria uma coisa e ela outra, parecia até implicância. Era um inferno. Então resolvemos acabar com o casamento, sem abandonar um ao outro. Escolhemos construir um novo relacionamento esse que você é capaz de ver, conseguimos gerar frutos muito melhores do que o anterior, somos uma equipe, somos melhores amigos e aprendemos a nos comunicar melhor e focar no que temos de melhor, apesar de nos irritarmos de vez em quando, não chega nem perto do que já foi um dia. E desde então todo ano renovamos os nossos votos, porque entendemos que o para sempre não existe e ainda bem porque se não, provavelmente, você não nos veria assim hoje.

Acredito que aprender foi a chave, aprender mais sobre si e o outro, com os erros que cometemos, ainda erramos muito mas corrigimos rápido. Eu a escolhi e não queria ter que abandonar a minha escolha, então decidi apenas tomar uma decisão para não perder a pessoa que tanto amo, largar aquele relacionamento.