Ninguém te deve nada

Talvez uma das coisas mais difíceis de aprender na vida seja entender que ninguém te deve nada.

Ninguém te deve o amor que você ofereceu.
Ninguém te deve a mesma intensidade que você entregou.
Ninguém te deve uma resposta, uma escolha ou a permanência que você desejou.

E isso pode doer. Porque, muitas vezes, fazemos algo por alguém esperando, mesmo que silenciosamente, que aquilo volte para nós na mesma medida. Amamos esperando ser amados. Cuidamos esperando ser cuidados. Permanecemos esperando que o outro também escolha ficar.

Mas a verdade é que aquilo que você oferece precisa nascer da sua vontade, e não de uma cobrança futura. Você não pode transformar a sua entrega em uma dívida emocional.

Isso não significa que as pessoas não tenham responsabilidades umas com as outras. Em uma relação saudável, existe respeito, consideração, reciprocidade e compromisso. Mas existe uma diferença enorme entre esperar o mínimo de uma relação e acreditar que alguém é obrigado a corresponder exatamente àquilo que você fez.

Ninguém te deve nada. E, ao mesmo tempo, você não precisa permanecer onde recebe menos do que deseja. Essa talvez seja a parte mais bonita de compreender isso.

Você não precisa cobrar amor de quem não sabe amar você.
Não precisa implorar consideração.
Não precisa convencer alguém do seu valor.
Não precisa permanecer em um lugar apenas porque já entregou demais.

Se alguém não pode ou não quer oferecer aquilo que você precisa, você pode simplesmente escolher partir.

Sem vingança. Sem ressentimento. Sem transformar a sua dor em uma tentativa de fazer o outro pagar pelo que você viveu. Porque amar também é compreender que cada pessoa oferece aquilo que consegue oferecer.

E quando aquilo já não é suficiente para você, talvez a resposta não seja cobrar mais. Talvez seja escolher a si mesma.

No fim, liberdade também é isso: fazer o bem sem transformar a sua bondade em uma cobrança, amar sem criar contratos invisíveis e saber partir quando a relação deixa de ser aquilo que você precisa.

Ninguém te deve nada. Mas você deve a si mesma uma coisa que ninguém pode oferecer por você: não se abandonar para ser escolhida.

Um dia difícil não é uma vida difícil

Há dias que simplesmente não são fáceis.
Dias em que a tristeza chega sem pedir licença, em que a dor parece maior do que conseguimos suportar e tudo o que queremos é nos recolher por um instante. E tudo bem. Nem todos os dias serão leves.

Chorar faz parte do processo. Não há nada de errado em admitir que algo doeu, que você está cansado ou que, naquele momento, não sabe exatamente como seguir. Há dores que, por algum tempo, parecem insuportáveis. E talvez você precise mesmo de um tempo para senti-las antes de conseguir reorganizar o coração.

Mas um dia difícil não precisa se transformar em uma vida difícil.

Não permita que uma decepção contamine todas as coisas boas que ainda existem. Não deixe que uma tristeza de hoje roube de você a possibilidade de viver um amanhã diferente. Algumas situações merecem ser sentidas, mas não precisam ocupar todos os espaços da nossa vida.

A vida continua sendo boa, mesmo quando atravessamos momentos ruins.
Existem dias de lágrimas e dias de sorrisos. Dias em que tudo parece fazer sentido e outros em que precisamos apenas respirar e esperar a tempestade passar. Isso também faz parte de estar vivo.

Você não precisa estar bem o tempo inteiro para reconhecer que a vida vale a pena.
Permita-se chorar. Permita-se sentir. Permita-se descansar.

Mas, quando a dor passar, ainda que aos poucos, volte a olhar para a vida com esperança. Porque momentos difíceis são capítulos, não a história inteira.

E por mais complexo que seja o momento que você está vivendo, ainda há beleza esperando para ser encontrada no caminho.

O grito da sua essência

Você nem sempre foi assim.
Estar na defensiva se tornou o seu natural, mas nem sempre foi assim.
Ter uma resposta — ou até uma ofensa — na ponta da língua virou costume, mas nem sempre foi assim.
Evitar sentir virou automático, até com quem você mais ama no mundo. Mas nem sempre foi assim.
Negar sua autenticidade e trocá-la por uma máscara tem sido sua rotina, mas… nem sempre foi assim.

Em algum momento, rejeitaram o seu jeito de ser.
Perderam a paciência com a leveza e a pureza que havia em você.
Invejaram a sua coragem de ser quem é.
Disseram coisas para te ferir — intencionalmente ou não.

Mas eu quero te lembrar: aí dentro ainda existe uma mulher doce.
Leve. Cheia de vida.
Cheia de amor para oferecer a si mesma e ao outro.

Ela grita toda vez que você se sente exausta, sufocada, angustiada com a vida.
Porque é o seu corpo tentando te mostrar que a sua essência não está vivendo.
Ela se tornou prisioneira dentro de você.
E você tem sobrevivido com essa personagem que criou para se proteger.

Mas você não nasceu para sobreviver.
Você nasceu para viver.

Nosso maior inimigo!

 É surpreendente como a maneira que nos tratamos importa mais do que a maior crueldade que alguém poderia nos fazer, é óbvio que dói e vai doer mas se martirizar e sofrer eternamente com isso é uma decisão nossa. É chato admitir, mas acreditamos nas barbaridades que nos dizem porque parte de nós concorda com elas e muitas vezes somos muito mais cruéis conosco. Se analisarmos nossos comportamentos em diversas situações não temos paciência, compaixão, respeito por nós, pelo menos não tanto quanto deveríamos, não medimos as palavras e julgamentos muito menos incluímos o contexto e os recursos que tínhamos no momento. E assim surgem as críticas excessivas em relação aos nossos equívocos e diferenças, porém pouquíssimo reconhecimento de nossas qualidades e acertos. Eu sei o quanto a nossa cabeça pode ser pior do que nosso maior inimigo, na verdade me pergunto se existe ou existirá um inimigo pior que nós mesmos. Nos sabotamos, brigamos com a nossa essência diariamente negando nossas sombras e diminuindo a nossa luz.

Só quero que saiba que não importa quem tente apagar a sua luz, isso só acontecerá se você permitir. E isso me parece muito um super poder, não acha? Se você não deixar que a maldade, seja ela intencional ou não, lhe abale e for a pessoa que sabe acender e intensificar a própria chama e lida de modo equilibrado com a sombra que há em você, tornar-se-á indestrutível. Seja a primeira pessoa a se amar, acolher, perdoar e ser grato pela sua vida, não se aprisione deixando a responsabilidade da sua vida na mão de pessoas que não a vive. Fará isso por você?

Você é importante!

Não deveria ter medo ou se arrepender de dar o seu melhor às pessoas e aos seus projetos.
Não deveria ter receio de ser quem é e gostaria de ser.
Não deveria guardar o que sente por vergonha de externalizar aquilo que não pode esconder dentro de si e falo desde dores à paixões.
Não deveria causar mal a si mesmo(a).

Parece loucura largar o que quer por medo de perder um dia. É o mesmo que deixar de viver com pavor da morte. Parece tortura fazer com que as pessoas gostem de uma versão nada autêntica sua. Cheia de limites, máscaras… escondendo todo seu potencial e essência que, por sinal, é muito melhor que qualquer personagem que tente inventar para impressionar.

Você é tão incrível na sua individualidade e sei que parece clichê afirmar isso, mas é a verdade. Cada pessoa com sua história e experiência tem algo a acrescentar na vida de outras, cada ser humano tem uma percepção e sensação sobre o mundo diferente e por mais que algumas pessoas problematizam essas dessemelhanças, são essas variedades que nos possibilita a novas ideias, sonhos, mudanças e evolução da humanidade.

Que você não se esqueça da sua importância nesse mundo. E busque viver e deixar uma marca positiva por onde passar e na história das pessoas que venha a conhecer nessa jornada, que chamamos de vida.

Sobre recomeço

Recomeço é a oportunidade de fazer diferente, não significa que começará do zero novamente, porque toda vez que você recomeça, vai com você todas as suas experiências. E recomeçar não é errado, muito pelo contrário, deve ser feito sempre que necessário, complicado mesmo é você ficar no mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas pensando que está escrevendo um livro novo, quando na verdade você só está relendo o mesmo diversas vezes tentando entender porque o final termina dessa maneira e definitivamente isso não muda nada… só faz você se autoflagelar.

Recomeçar é escrever um novo capítulo ou melhor um novo livro com um enredo muito melhor do que a história que você passou tanto tempo insistindo em reler. Eu não sei se existe um enredo correto para seguir, mas tenho certeza que existe uma narrativa que lhe satisfaz mesmo que nela tenha situações com altos e baixos, aliás faz parte da vida os desafios e são exatamente eles que nos fazem crescer. Entretanto, você precisa ter a coragem de não se perder com as histórias de outras pessoas. Pode inspirar-se, se a história faz sentido para você, mas não tente copiar e muito menos se comparar, você é único, logo a sua história também. Eu recomendo que já recomece com isso bem claro em sua vida. E se questione que narrativa da sua vida gostaria de escrever agora? Como será seu cenário? E quais serão os personagens que estarão nessa jornada com você?