A crise dos vinte e poucos anos.

Eu não sei vocês, mas nada saiu como imaginei, eu ainda não tenho uma profissão, ainda estou aprendendo a ser adulta. Nunca pensei que seria fácil, mas ao mesmo tempo não imaginei que era tão complicado. Em alguns momentos eu me encontro com minhas outras idades…

Às vezes choro como um bebê, sou curiosa como uma criança de 4 anos, sou criativa como uma criança de 7, sou teimosa como uma adolescente de 13, sou corajosa como uma adolescente de 16 e todas elas me compõem e, claro, em outros momentos sou uma mulher de vinte poucos anos. Quanto melhor for a harmonia entre elas, mais equilíbrio na vida. Quanto mais eu compreendo cada espaço dessas versões de mim melhor é o relacionamento.

E talvez você se pergunte, como assim? Temos um relacionamento com nós mesmos. E a forma como nos tratamos, nos cuidamos, nos compreendemos influencia diretamente nas nossas relações exteriores. Quanto mais nos conhecemos melhor nos apresentamos aos outros, quanto mais nos entendemos, melhor nos fazemos ser entendidos e por aí vai.

Eu realmente estou buscando descobrir minha identidade e criar conexões e intimidades com outras identidades, que assim como eu há várias idades, versões dentro de si e busca acolher cada uma delas.

Eu sei bem que já passou da hora de parar de me comparar com as histórias de outras pessoas e realmente espero que você não esteja comparando a sua com a minha… Porque a grama do vizinho sempre estará mais verde do que a nossa, se não gastarmos nosso tempo e energia cuidando do nosso jardim. Não se subestime, você é capaz e não se cobre tanto, isso não irá te ajudar, pelo contrário vai te sobrecarregar.

E se acabar?

Você vai deixar de ler um livro, ou de viajar, só porque uma hora vai acabar? E se não acabar? E se depois de terminar esse livro o escritor continuar o enredo ou esse te inspire a ler outro no mesmo estilo ou não te agrade o suficiente? Nem toda perda é ruim, assim como nem todo ganho é bom. E se nessa viagem você resolver ficar na cidade e trabalhar por lá, construir uma carreira, uma família… há tantas possibilidades. Não tenha medo de começar algo, só porque existem sim chances de dar errado, chance de chegar ao fim. É o mesmo de você ter medo de viver porque sabe que um dia irá morrer. Falando assim parece ridículo, né?! A morte existe justamente para valorizarmos a vida, aproveitar cada momento, cada processo. Crescer, servir e desfrutar. Então não deixe de amar, de dizer, de sentir por medo de passar. Vai passar sim, mas tem que passar mesmo para coisas melhores ainda chegarem. Sejam momentos, pessoas, oportunidades e tantas outras coisas. Você nunca agradeceu por algo acabar em sua vida? Porque graças a esse fim teve um recomeço muito melhor. E aí, bora enfrentar esse medo e dizer a ele que a intenção pode até ser boa, mas há coisas que é só ficção e começar a viver?

Eu sempre estive sozinha.

Demorou para eu perceber, que apesar de eu achar que estava acompanhada… Eu sempre estive sozinha, emocional e, algumas vezes, fisicamente. Quando eu estava feliz e queria comemorar, ele não estava lá. Quando eu estava triste e não conseguia racionalizar meus sentimentos, ele não estava lá. Quando estava gerando dentro de mim alguém que mudaria nossas vidas, ele não estava lá. Nos momentos que precisava de apoio em meus sonhos, ele não estava lá. Nas circunstâncias difíceis que sabíamos que teríamos que enfrentar, ele não estava lá. Nos dias que tive que chorar sozinha, sendo ele o causador do motivo ou não, ele não estava lá.
Nos momentos que queria apresentar meu “namorado”, ele não estava lá.
Quando eu precisava de alguém para me acompanhar, ele não estava lá… quando eu quis um homem ao meu lado, ele não estava lá. E cheguei à seguinte conclusão: como ele nunca esteve comigo de verdade, ele não está e nunca estará.

Eu errei muito por acreditar que um dia estaria.

Amo o jeito que me olha, que me lê e me decora!

Amor tem disso, não precisa ser dito com palavras para perceber o quanto alguém te ama. Ele é observador, percebe quando algo pode estar errado mesmo que ainda não compreenda o porquê. Percebe quando tudo está incrivelmente bem também. Ele é curioso para saber o que ainda está por vir. Conhece tanto que chega a decorar suas manias, falas e sinais.

Por isso amo o jeito que me olha, que me lê e me decora. Não sou um livro de fim de tarde nem poesia para o início do dia. Mas me sinto mais importante do que qualquer literatura lida. Sou grata e apaixonada por cada detalhe do nosso vínculo, do nosso laço, seja lá como quiser chamar. 

Apenas investindo o nosso melhor para nós , sem muito clichê e sem muitos rótulos apenas vivendo o que precisamos e queremos viver. Antes mesmo de te escolher, eu já havia escolhido sem saber.
A única coisa que quero continuar é: amar você como o Amor me ensinou.

Quero estar presente no agora!

Cansei de me preocupar com o que pode acontecer e ressentir o que já aconteceu. Às vezes pelo simples fato de estarmos vivos achamos que estamos presentes e não estamos, podemos estar com o corpo aqui porém a mente muito distante, seja no passado ou no futuro e raramente no presente. Estamos ocupados demais pensando nos nossos problemas, no que não aconteceu, no que poderia acontecer, no amigo que sumiu, na crítica nada construtiva, nas palavras que machucaram, na falta… repare que só falei de coisas “negativas” porque as positivas são as primeiras a serem esquecidas… como a surpresa de quem amamos, a atenção que nos dão mesmo podendo e às vezes devendo estar ocupados com outras prioridades, no abraço longo, no olho no olho, do carinho que recebemos, do apoio e incentivo que temos. Esquecemos.

Mas independente do que acontecer ou deixar de acontecer em minha vida, quero estar presente em cada instante, quero prestar atenção no que a pessoa tem para falar, sem meus pensamentos interromper pensando numa possível resposta ou em alguma coisa que não tem nada haver com o momento. Eu quero sentir o vento suave em cada célula do meu rosto, saborear a comida, experienciar novas coisas, sentir o toque de um carinho. Quero sentir. Quero ser sensível para o viver. Não quero sentir que nunca vivi de verdade e que apenas sobrevivi aos dias que passaram. E quando eu tiver que recordar de alguma coisa desejo que seja das boas lembranças, das risadas genuínas, dos abraços apertados, dos beijos molhados, dos dias que se eu pudesse eu voltaria e as que eu não voltaria que eu realmente tire uma lição e não ressinta a dor nem guarde mágoas.

Não é à toa que o presente se chama presente, é a oportunidade que temos de desfrutar o que temos, somos e sonhamos. Assim como corrigir erros passados e planejar um possível futuro. Porém jamais seremos capazes de voltar no passado e mudar nossas escolhas e nem pular para o futuro para vivermos o que tanto almejamos ter e ser, o agora é o momento ideal para ser vivido e a mudança que queremos ocorre no agora, no presente!

Nosso maior inimigo!

 É surpreendente como a maneira que nos tratamos importa mais do que a maior crueldade que alguém poderia nos fazer, é óbvio que dói e vai doer mas se martirizar e sofrer eternamente com isso é uma decisão nossa. É chato admitir, mas acreditamos nas barbaridades que nos dizem porque parte de nós concorda com elas e muitas vezes somos muito mais cruéis conosco. Se analisarmos nossos comportamentos em diversas situações não temos paciência, compaixão, respeito por nós, pelo menos não tanto quanto deveríamos, não medimos as palavras e julgamentos muito menos incluímos o contexto e os recursos que tínhamos no momento. E assim surgem as críticas excessivas em relação aos nossos equívocos e diferenças, porém pouquíssimo reconhecimento de nossas qualidades e acertos. Eu sei o quanto a nossa cabeça pode ser pior do que nosso maior inimigo, na verdade me pergunto se existe ou existirá um inimigo pior que nós mesmos. Nos sabotamos, brigamos com a nossa essência diariamente negando nossas sombras e diminuindo a nossa luz.

Só quero que saiba que não importa quem tente apagar a sua luz, isso só acontecerá se você permitir. E isso me parece muito um super poder, não acha? Se você não deixar que a maldade, seja ela intencional ou não, lhe abale e for a pessoa que sabe acender e intensificar a própria chama e lida de modo equilibrado com a sombra que há em você, tornar-se-á indestrutível. Seja a primeira pessoa a se amar, acolher, perdoar e ser grato pela sua vida, não se aprisione deixando a responsabilidade da sua vida na mão de pessoas que não a vive. Fará isso por você?

Relacionamento real

Algumas vezes passamos tanto tempo idealizando o amor e as relações que não notamos a beleza de um amor real. Nenhum relacionamento é perfeito, não temos uma relação perfeita com nós mesmos, porém buscando constantemente um equilíbrio. E melhor que um “felizes para sempre” de conto de fadas é o felizes apesar das divergências, dos conflitos, das dificuldades que todas relações enfrentam em algum momento. Não vou negar que muitas vezes é desconfortável, porém muito gratificante porque amar alguém é saber que ainda que existam diferenças e possibilidade de um dia não a ter mais… você está disposto e disponível para dar o seu melhor por essa pessoa e pelo relacionamento. Não busque um relacionamento ideal, vale muito mais a pena viver um relacionamento real, que você possa praticar comportamentos saudáveis e desenvolver dentro dela a sua melhor versão diariamente. Amar é ser honesto(a), é ser paciente, é ser zeloso(a), é ser companheiro(a), é saber compartilhar a vida em sua plenitude, é respeitar e saber dizer limites, é deixar as coisas fluírem sem tentativas de controle para não correr o risco de sufocar e também ser livre, sem negligenciar. Jamais idealize, mas tenha seus princípios claros em sua mente para identificar um potencial relacionamento real, que faça sentido para você. Ok?

Escolha alguém que queira aprender com você mais do que ensinar a você

Quando estamos abertos a aprender fica mais fácil de ensinar. E é tão gostoso quando a pessoa está aberta a conhecer você e a sua história, que não se contenta com a capa mas que se encanta a cada página de quem você é, espera ansiosamente pelos seus próximos capítulos e faz questão de fazer o possível para acompanhar cada nova edição sua. E sem querer você vai aprender tanto sobre e com essa pessoa mais do que jamais pôde aprender com quem entrou em sua vida querendo de te ensinar a viver e como você deveria ser. Isso é pesado demais. Você não pode ser você mesmo(a).

E qual é a graça de ser moldado pelas pessoas? Por mais que muitas insistam em fazer isso uma com as outras elas descartam depois que transforma a pessoa no que “queria”, não vê mais graça, a pessoa perdeu a personalidade, o que faz alguém se apaixonar e então para que mudar? Com que propósito? Questiono que seja um objetivo genuíno, na verdade, me arrisco a dizer é o oposto disso. Mude a si mesmo, jamais os outros, por favor. 

Infelizmente, quando entramos numa relação como uma pessoa que irá ensinar, corremos grande risco de nos tornar arrogantes e quando nos colocamos como aprendizes somos mais humildes, não a ponto de se diminuir, jamais. Só estamos abertos ao novo e diferente. E quando falamos de relacionamentos é exatamente com isso que lidamos, se estamos constantemente aprendendo sobre nós quem dirá sobre outras pessoas. E para mim isso é assustador e ao mesmo tempo empolgante.

Se o jeito da pessoa não te agrada, está tudo bem. Aliás, há 8 bilhões de pessoas no mundo com certeza encontrará uma pessoa que encaixe no seu perfil “ideal” e só precisamos de uma mesmo. Bom, pelo menos eu só preciso de uma, que queira aprender mais comigo do que me ensinar pois entrarei com o mesmo objetivo, ensinar será muito mais fácil e gostoso para ambos. E você?

Viva o momento e não a projeção!

Sabe quando encontramos uma pessoa, do nada, sem aviso prévio ela chega e tudo parece se encaixar? O papo, a risada, o abraço, o beijo… tudo parece, incrivelmente, perfeito. E a gente revive todos esses excelentes momentos em nossa mente. Mas não conseguimos nos satisfazer com isso e começamos a imaginar outros cenários com a pessoa. Sei lá… do próximo encontro ao casamento.

São nessas situações que estamos mais sensíveis a pôr tudo em risco, pois, inconscientemente, não iremos mais querer viver cada fase da relação, é muito provável que iremos querer realizar as nossas idealizações no relacionamento. Ao ponto da pessoa com quem estivermos relacionando não ser participante ativo nessa história.

Sem querer estaremos escrevendo um roteiro e apenas conduzindo nosso parceiro (nossa parceira) como um personagem ou um objeto integrante da cena ou ainda mais… estamos tão entretidos(as) na história que criamos que não prestamos atenção na realidade, como de fato a pessoa é e nos trata.

Isso é perigoso para ambos, e estamos ferindo o verdadeiro significado de um relacionamento: indivíduos que se unem com os mesmos propósitos e valores. Logo, você precisa de fato conhecer um ao outro como é, para criar realmente uma ligação afetiva saudável.

E cabe a nós fazermos as seguintes perguntas à nossa consciência: Será que é com essa pessoa que gostaria de conviver e esse realmente é o relacionamento que gostaria de viver? Estou bem (mesmo sabendo dos altos e baixos que existem) com a escolha que fiz?

Ao invés de idealizar ou correr contra o tempo, viva o momento e não a projeção. E se for o relacionamento que sempre desejou (com as imperfeições incluídas, porque não existe relacionamento perfeito), ótimo. Desfrute, viva e faça valer cada momento!

Resolvi partir.

“Eu não quero mais te ver”, ela disse.
Mas, surpreendentemente, dessa vez eu não surtei, nem se quer chorei. Continuei fazendo o que tinha para fazer. Obviamente não era o tipo de mensagem que eu queria receber, porém depois de tantas ofensas, tantas brincadeiras de mau gosto, essa mensagem não surtiu efeito algum. Para mim ela decretou o fim.

Essa coisa de música sertaneja como “A briga foi feia, teve dedo na cara, teve voz alterada, teve tudo que tem em uma discussão. Mas eu não estava terminando, você confundiu seu coração” da dupla Henrique e Juliano, não funciona comigo. Quero falar, sim, sobre qualquer assunto, discutir a relação, só que sempre com o respeito prevalecendo em cada momento.

As pessoas não costumam terminar relacionamento por falta de amor, e sim por falta de respeito, compreensão, empatia, cuidado, doação, conexão… mas raramente o amor propriamente dito. Apesar de eu acreditar que no amor já há tudo isso, mas infelizmente conforme fomos crescendo, aprendemos alguns comportamentos tóxicos que divergem muito do amor e por isso o que deveria ser incluso, é adicional.

Eu realmente busquei compreender mas depois que percebi que eu jamais seria compreendido, resolvi partir.